Logo
CARLOS BRASIL
BARROCO - CLASSICO - MODERNO
 
  
 

 

 
HOME      GOLPES DE ARCO

GOLPES DE ARCO

Carl Flesch (1873-1944 Húngaro), Ivan Galamian (1903-181 Iraniano) e Marcos Salles (185-1965 Brasileiro) foram grandes estudiosos da técnica violinística.
Mariana Salles se baseou nos três mestres para escrever o livro “Arcadas e Golpes de Arco.
Carlos Augusto Vieira fez um simples resumo da proposta do livro. Divirtam-se!

  Movimento vertical e movimento horizontal, nesta obra, significarão:


1

Pronação é um giro de ante-braço e/ou pulso que resulta numa maior pressão do indicador sobre a vara do arco e, consequentemente, numa menor pressão do dedo mínimo sobre a vara do arco.


2


Supinação é um giro de ante-braço e/ou pulso que resulta numa maior pressão do dedo mínimo sobre a vara do arco e, consequentemente, numa menor pressão do indicador sobre a vara do arco.
3


GOLPES DE ARCO

1 - LEGATO

      É a sucessão de duas ou mais notas executadas numa mesma arcada, de forma ligada, ou seja, ininterruptas por pausas. A posição do arco flutua entre o cavalete e o espelho.
      Nas mudanças de posição a quantidade de arco deve ser maior e a pressão menor. Assim as mudanças de posição serão imperceptíveis. Nas trocas de cordas o arco deverá se mover para a próxima corda de forma gradual e antes da mudança.
      Muitas vezes os compositores colocam ligaduras insustentáveis na extensão do arco por serem pianísticas (ex: Brahms e Beethoven) que devem ser readaptadas pelo executante.
      O legato é frequentemente usado conjuntamente com outro golpe de arco e/ou inflexão de arcada não anotados pelos compositores cuja escolha é exclusivamente do intérprete. Os exemplos mais comuns são acentos (>)em algumas notas e o uso do fouetté no início de cada ligadura em passagens rápidas.
      A notação gráfica do legato é a ligadura.
4


2 - SON FILÉ

      Consiste na sustentação de uma nota em tempo suficiente para receber um caráter cantabile; segundo Flesch, em torno de 1 a 15 segundos. Menos de 1 seg. é considerado détaché e mais de 15 é mais usado para fins de estudo técnico.
      No son filé a escolha “correta” do vibrato é fundamental:
 lento ou rápido; mais amplo ou menos amplo; de dedo, pulso ou braço.
      As mudanças de sentido de arco devem ser o mais imperceptíveis possível.
      Não há notação gráfica para o son filé.

3 – DÉTACHÉ


(1-détaché, 2-détaché acentuado, 3-détaché com todo o arco, 4-grand-détaché, 5-portato 5.1-portato ou louré e 5.2-détaché porte, 6-détaché lance, 7-fouetté, 8-grand détaché porté e 9-détaché “duro”)

      É o golpe de arco básico mais importante.
      Neste golpe de arco, contrariamente ao legato, cada nota é executada em uma arcada pelos movimentos do antebraço. É uma seqüência de notas ligadas, embora a troca de sentido do arco produza uma micro pausa inevitável. Saliento que este golpe produz um som ligado embora o significado deste termo seja “destacado”. A explicação para esta contradição é a seguinte:

     Os arcos antigos (anteriores à 1750) de transição do barroco tem a vara convexa. Em função desta curvatura a tensão da crina é menor que nos arcos atuais. Assim, quando movemos o arco antigo “para cima e para baixo” sobre as cordas, as notas soam destacadas, embora o movimento do antebraço direito seja o mais contínuo possível. Estas notas, além de aparecem destacadas, crescem e decrescem, pois no meio do arco o som é mais forte que nas extremidades. Já o arco moderno é côncavo e oferece uma “resposta” sonora quase imediata. Ou seja: o mesmo movimento contínuo, se realizado no arco antigo provoca o détaché (destacado) e no arco moderno produz um som ligado mas como o movimento muscular é o mesmo, foi mantido o nome détaché.
      O arco moderno surgiu por volta de 1790, foi idealizado por Giovanni Batista Viotti (1753 – 1824) e construído por François Tourte (1747 – 1835).
   
3.1 - Détaché

      É o produto do movimento do arco para cima e para baixo da forma mais contínua possível. Deve ser estudado em todas as regiões do arco mas apresenta o melhor resultado quando executado acima da metade do arco (esta região do arco exige menos esforço físico).
      Quanto mais rápida for sua execução, mais perto do espelho o arco deverá ser posicionado.
      A inclinação da vara para o espelho deverá ser considerada.
      Quanto mais rápida for a execução, mais solicitados serão os dedos e o pulso que deverão se apresentar flexíveis.
      Quando usado em longos trechos, o uso da forma russa de segurar o arco reduzirá o esforço físico.
      O détaché não possui notação gráfica especifica.


5


3.2 - Grand-détaché

      É um tipo de détaché que utiliza pelo menos metade da extensão do arco por isso só pode ser usado em tempo moderado para lento e em dinâmica forte.
      A região do arco mais indicada para este golpe é sua metade superior embora  algumas passagens tornem necessário o uso da metade inferior.
    Este golpe não possui notação gráfica especifica.


6


3.3 - Détaché acentuado

      Caracteriza-se por um acento no inicio de cada golpe. Este acento, contrário ao do golpe de arco martelé, é produzido durante o inicio do golpe, através do aumento de velocidade e pressão (no martelé a pressão é feita antes do ataque da nota).
      É usado, em geral, na metade superior do arco, como o détaché básico.
      Não deve conter pausas entre as notas mas podem haver exceções.
      A notação gráfica para este golpe é o sinal de acento >


7


3.4 - Détaché com todo o arco

      É um détaché acentuado onde todo o arco é usado.
      A notação gráfica para este golpe é o sinal de acento >


8


3.5 - Portato

No Brasil se usa o termo Portato tanto para designar o Portato ou Louré como para designar o Détaché porte. Portanto usaremos o termo portato para designar ambos os golpes de arco. Abaixo explicamos detalhadamente cada um deles.

3.5.1 - Portato ou Louré
     
É a sonoridade ondulante de notas executadas numa única arcada.
      O portato deriva do détaché, pois o détaché, no arco anterior ao de Viotti-Tourte, tinha seu resultado sonoro equivalente à figura da onda (seus extremos suaves e o meio mais evidente). Igual ao atual portato.


9


      A diferença está no aspecto motriz-muscular: antes o movimento do braço no détaché era uniforme e hoje fazemos uso da pronação e supinação para realizar o portato.
      A notação gráfica para este golpe é um traço sobre ou sob cada nota e as notas estarão unidas por uma ligadura.


10


3.5.2 - Détaché porté

     
      É um tipo de Portato onde há uma arcada para cada nota.


11


      É muito utilizado para execução de músicas do período barroco. Pode ou não haver pausa entre as notas mas, mesmo quando não existindo, o uso contínuo deste golpe dá a impressão de paradas ou pausas.
     A notação gráfica para este golpe é um traço sobre ou sob cada nota.


12


3.6 -Détaché lance

      O arco é lançado tão veloz quanto no martelé, mas não tem o acento inicial. A velocidade vai decaindo e há pausas entre as notas. As pausas só desaparecem em sucessões rápidas de notas. Usa-se a mesma porção do arco que no détaché básico.
O antebraço é o responsável pelo movimento enquanto o pulso e os dedos se apresentam de forma mais sutil para arredondar o som das notas, diferentemente do détaché básico onde dedos e pulso são fundamentais para uma sonoridade redonda.
      A notação gráfica para este golpe é um ponto com um traço por cima (quando colocado sobre a nota) ou um ponto com traço por baixo (quando colocado por baixo da nota)


13


3.7 - Fouetté

      Derivado do détaché acentuado, é geralmente executado na metade superior do arco, em arcadas para cima. Através de um levantar e jogar de arco quase simultâneos, o movimento deve ocorrer não no final da arcada anterior, mas sim, antes do começo da arcada seguinte, sendo executado de forma súbita e enérgica.
      Não há notação gráfica oficial embora Galamian tenha sugerido um traço em diagonal:  ⁄

14

3.8 - Grand détaché porté

     Este golpe não está presente na técnica tradicional do violino. Mas é presente na música brasileira. É a junção do grand détaché e do portato, ou seja, para cada nota usa-se uma ampla parcela do arco (no mínimo metade do arco), juntamente com a inflexão típica do portato produzido pela pronação do antebraço.
      A notação gráfica para este golpe pode ser feita igual ao portato, com um traço em cima ou abaixo da nota.


15


3.9 - Détaché do tipo “duro”

     É derivado do détaché lance. Os dedos e o pulso não tem nenhuma participação no movimento. O som resultante é anguloso e primitivo. Utiliza a mesma parcela de arco do détaché básico.
      Este golpe não tem notação gráfica específica.

4 - MARTELÉ

      Neste golpe cada nota é precedida por um grande acento inicial e há pausa entre as notas. Este acento é resultado da pronação do antebraço que é feita antes do movimento horizontal do antebraço. Em seguida há um alívio imediato de pressão. O martelé produz um ataque do tipo “sforzando” e/ou “pontiagudo” e, junto com a nota, surge junto um ruído semelhante ao produzido pelas consoantes P ou T.
      O martele é um golpe de arco moderno pois os arcos anteriores aos de Viotti-Tourte são incapazes de produzir este tipo de acento inicial. Assim nas músicas do período barroco deve-se evitar o martelé e, em seu lugar, usar o portato.
    Segundo Galamian, o martelé pode ser executado com qualquer quantidade de arco e em qualquer região do arco. Mas seu uso mais adequado se dá na região superior (ponta).


      16


O pulso deve ser posicionado um pouco mais baixo do que o normal, e o antebraço ligeiramente pronado, fazendo com que a base dos dedos (articulação metacarpo-falangeana) fique também mais baixa.
    Segundo Galamian, um martelé menos amplo pode ser executado apenas com mão e dedos. Também, segundo ele, nos golpes mais amplos o movimento jamais se inicia pelos dedos e sim pelo braço.
      O pré-requisito de se usar pressão antes de cada golpe, impõe certo limite de velocidade no martelé e assim , se precisarmos de maior velocidade, este golpe de arco deverá ser substituído por um dos seguintes golpes: staccato preso, collé, fouétté ou détaché acentuado.
     A notação gráfica para este golpe é uma cunha sobre/sob cada nota: ??


17


5 – SPICCATO
(1-spiccato, 2-spiccato cantabile, 3-spiccato percussivo, 4-spiccato “duro” e 5-collé)

      Neste golpe o arco parte de fora da corda, toca a corda e por fim abandona-a, voltando ao posicionamento fora da corda. Este movimento tem o formato de um semi-círculo. Há um movimento muscular voluntário para cada golpe (diferentemento do sautillé) e o limite de velocidade para as notas tocadas em spiccato é inferior ao das tocadas em sautillé.
      Pode ser tocado em qualquer região do arco porém o seu uso mais comum limita-se nos dois terços inferiores. A principal falha na execução do spiccato está em levantar demasiadamente o arco da corda.
     A notação gráfica de toda família dos golpes “staccato” é um ponto sobre/sob a nota.


18

5.1 – Spiccato

      No spiccato básico o movimento semi-circular do arco em relação à corda tem os componentes vertical e horizontal mais “equilibrados”.
     É executado, quando lento, no quarto inferior do arco e quanto mais rápido, mais tende para o meio do arco.
      A notação gráfica de toda família dos golpes “staccato” é um ponto sobre/sob a nota.


19


5.2 – Spiccato cantabile

      Esporadicamente (e erroneamente) denominado de balzato, o spiccato cantábile é um tipo de spiccato onde o componente horizontal é mais pronunciado que o vertical, fazendo com que o arco fique mais tempo em contato com a corda. Este spiccato pressupõe ou quase exige o uso de um vibrato brando: nem muito amplo e nem muito rápido (o vibrado pode ser amplo ou curto e rápido ou lento).
     Quando o spiccato cantabile for lento deverá ser executado no quarto inferior do arco e quanto mais rápido for, mais o ponto de contato se dirige ao meio do arco.
      A notação gráfica de toda família dos golpes “staccato” é um ponto sobre/sob a nota.

5.3 - Spiccato percussivo

      Possui um componente vertical muito pronunciado. É usado na ponta do arco, em passagens predominantes de pizzicatos de mão esquerda, em obras virtuosísticas.
      A notação gráfica de toda família dos golpes “staccato” é um ponto sobre/sob a nota e a notação dos pizzicatos de mão esquerda são sinais de mais “+” so/sob as notas.


20


5.4 – Spiccato “duro”

      É um golpe tipicamente brasileiro. É executado próximo ao talão (na metade inferior do arco). Possui o componente vertical ligeiramente mais pronunciado que no spiccato básico e um movimento horizontal maior, dando a impressão que o arco quase perde o controle, saltando demasiadamente alto e amplo.
      Seu resultado sonoro não é polido, é duro, primitivo e rude parecendo que foi feito “de qualquer jeito”.
     A notação gráfica de toda família dos golpes “staccato” é um ponto sobre/sob a nota.

5.5 – Collé

      É executado fora da corda na metade inferior do arco e, no momento do contato, a corda é “pinçada” pelo arco, e em seguida é abandonada por ele. Esta pinçada resulta num som semelhante ao produzido pelo martelé. Em uma seqüência de notas em collé, cada nota vai num sentido do arco (vai-e-vem). Segundo Galamian o collé combina a elegância do spiccato com o caráter resoluto e penetrante do martelé. Em passagens rápidas demais para serem executadas pelo martelé pode-se utilizar o collé com grande eficácia.
      Galamian diz que em termos de movimento (e não de sonoridade) o puxão dado na corda no golpe “collé” se assemelha ao puxão de dedo dado no pizzicato.
      É passível de execução na metade inferior do arco mas seu uso mais freqüente e eficiente se dá no extremo talão.


      21


A notação gráfica de toda família dos golpes “staccato” (inclusive o collé) é um ponto sobre/sob a nota. No exemplo abaixo a terceira e a sétima notas, por serem executadas indo para a ponta do arco, iniciam-se na corda produzindo o acento característico do collé e logo depois o arco abandona a corda (ato também característico do golpe). A quarta e a última notas do compasso podem ser consideradas como legítimos collés. 


     22


6 - SAUTILLÉ 

      O sautillé, diferentemente do spiccato, não possui impulsos individuais para cada nota. Quando movemos o arco para cima e para baixo, em alta velocidade e o ponto de contato com a corda ocorrer no seu terço mediano, o movimento horizontal do arco se transformará em um movimento saltado (o arco saltará por si próprio. O executante não terá controle total sobre cada nota.
      O sautillé lento equivale ao spiccato rápido e o resultado sonoro é semelhante.
      A região do arco onde se executa o sautillé é no seu terço mediano, sendo que quanto mais rápida a execução, mais para a ponta será o ponto de contato e quanto mais lenta, mais para o talão será o ponto de contato (toda esta variação se limita ao terço mediano do arco). O ponto exato de contato depende das características do arco (peso, centro de gravidade, flexibilidade, etc).
      Embora seja possível utilizar o sautillé nos arcos anteriores ao arco moderno de Viotti-Tourte, o uso do sautillé nas músicas daquela época é questionável.
      Em termos de movimento o sautillé é um détaché executado rapidamente, na região mediana do arco e com pouca pressão. Sem pressão do indicador (pronação) e dos dedos mínimo ou anular (supinação).
            Para execução do sautillé:

  1. A vareta do arco deverá estar sobre a crina, sem tender para o cavalete ou para o espelho;
  2.  Substitui-se a posição do dedo mínimo (5ºquirodáctilo direito), pela do anular (4º quirodáctilo direito) para que a contrapressão seja mais eficiente. Portanto, dependendo do executante, a posição original dos dedos também pode ser eficiente.
  3. O controle da altura do salto é feito pelo indicador.

Maestros e compositores não devem determinar o uso do sautillé ou spiccato, Esta escolha é de competência exclusiva do executante ou, nas orquestras, do spalla. Trata-se de uma questão basicamente técnica e pessoal. Maestros e compositores devem limitar-se a indicar apenas o tipo de staccato que desejam: mais seco ou mais liso, etc (referimo-nos ao staccato como notas separadas por pausas e não como golpe de arco).

      A notação gráfica para o sautillé é um ponto sobre/sob cada nota.

23

7 – STACCATO (PICCHETTATO)
(1-staccato ou staccato preso, 1.1-staccato tenso, 1.2-staccato “Arco Viotti”, 2-staccato volante e 2.1-spiccato volante)

      É uma série de pequenos golpes em martelé, executados em uma única arcada. Pode ser staccato (pronação) ou staccato volante (supinação).

     Há uma grande confusão entre o golpe de arco staccato e notas separadas por pausas que também chamamos de staccato. Estas notas separadas por pausas também podem ser usadas nos instrumentos que não usam o arco e não são, em sua essência, golpes de arco.
     
      A notação gráfica para a família dos tipos de staccato são pontos sobre/sob as notas e estas notas são unidas por uma ligadura. A exceção fica para o spiccato volante (que é um subgrupo do staccato volante) que tem como notação gráfica o mesmo “v” que indica “notas para cima”.


24


7.1 – Staccato ou staccato preso

     É uma série de pequenos golpes em martelé, executados em uma única arcada.
    Diferencia-se do martelé pelo fato de seus acentos serem executados durante o movimento horizontal (juntamente com a produção da nota) e não na pausa anterior a nota (como no martelé). No martelé o movimento de pronação é separado do movimento horizontal do braço e no staccato estes movimentos apresentam-se simultaneamente.
      O staccato baseia-se numa espécie de rigidez que conduz a uma oscilação muscular do braço, mãos e dedos. Se o resultado não for satisfatório, sugerimos que, em arcadas para cima, o arco seja aproximado do cavalete e se incline para o espelho e, em arcadas para baixo, que o arco se aproxime do espelho, se incline para o cavalete e que pulso e cotovelo sejam abaixados. Nos dois casos (para cima ou para baixo) deve-se manter a pronação do antebraço.
      Tanto Flesch quanto Galamian pregam que se algum violinista falhar em produzir o staccato, lhe deve ser permitido a quebra dos princípios técnicos para alcançar o fim desejado. De fato para vários violinistas são necessárias distorções extravagantes de mão e braço para alcançar um bom staccato.
      Muitos violinistas possuem um staccato brilhante mais pouquíssimos são capazes de controlá-lo em qualquer velocidade.
      Muitos professores alegam que o staccato é a chave para uma boa técnica de arco mas experiências práticas provam que este argumento é falso. Nem Joachim nem Sarasate eram mestres do staccato. Por outro lado há diversos violinistas medíocres que possuem um excelente staccato. 


25


7.1.1 – Staccato tenso

      Executa-se tencionando completamente o braço e aplicando contrações convulsivas de todos os grupos de músculos participantes do movimento. Não pode ser executado em andamentos lentos. Devido ao excesso de contração, deve ser cuidadosamente introduzido apenas em alunos que não obtiveram resultado satisfatório em outros tipos de staccato.


26


7.1.2 – Staccato “Arco Viotti”

     É o agrupamento de duas notas por arcada onde a acentuação se dá sempre na segunda delas.


27


7.2 – Staccato Volante

    É, assim como o staccato (staccato preso), uma sucessão de golpes de arco numa mesma arcada, mas difere do staccato preso pelo fato de o arco poder e ser encorajado a abandonar a corda após cada nota. A pronação, presente no staccato preso e que resulta numa pressão sobre as cordas, é substituída pela supinação. O staccato volante é uma combinação que fica entre o staccato preso (com seus acentos em martelé) e as arcadas saltadas ou jogadas. A supinação não deverá interromper o movimento horizontal do arco que é o movimento básico. Talvez seja necessário posicionar o cotovelo e o pulso mais levantados do que no staccato preso. Normalmente executado no meio do arco e para cima, pode excepcionalmente ser feito na ponta e para baixo.


28


7.2.1 - Spiccato volante

     Este golpe é considerado integrante da família do staccato volante.
      É uma sucessão de golpes do tipo spiccato executados numa mesma arcada. O arco é levantado e jogado na corda ativamente, por movimento nitidamente mais alto que do staccato volante, acarretando, portanto, numa velocidade limitada. É executado basicamente para cima, sendo raro o movimento para baixo e, quando ocorre, sempre é dotado de poucas notas. A região de execução do arco situa-se no talão.


29


      Ao contrário do staccato volante, no spiccato volante o arco é posicionado verticalmente (crina e vara alinhadas verticalmente).
      A notação gráfica para spiccato volante é o mesmo “v” que indica “notas para cima”.


30


      A notação gráfica para todos os outros tipos de staccato são pontos sobre/sob as notas e estas notas são unidas por uma ligadura.

8 – RICOCHET
(1-ricochet, 2-jetée ou saltati, 3-arpejos em ricochet, 4-ricochet controlado e arpejos controlados)


      Neste golpe várias notas são executadas numa mesma arcada para cima ou para baixo através de um único impulso que faz com que o arco salte por si só, num movimento “ricocheteado” semelhante ao de uma bola de borracha.
      Alguns aconselham que a vara do arco esteja inclinada em direção ao cavalete e que, ao contrário das normas de condução de arco, o movimento deva ser conduzido pela articulação do ombro (e não do cotovelo), de maneira lateral, ao que chamamos de abdução horizontal.
      Executável nos dois terços superiores do arco, quanto mais para a ponta mais rápido será e quanto mais para o talão, mais lento será.
      A altura dos saltos depende do primeiro impulso e da pressão do dedo indicador que limita a altura do salto. Quanto mais altos forem os saltos, mais lenta será a seqüência de notas e quanto mais baixos, mais rápida será tal seqüência.
      O músico deverá programar a quantidade de arco envolvida em função do número de notas à serem ricocheteadas.
      O ricochet se torna mais fácil em arcadas para baixo.
      As principais falhas na execução de ricochete são:

  1. insuficiente inclinação do arco em direção ao cavalete;
  2. quantidade de arco em excesso e
  3. muita intenção de jogar o arco (o arco deve saltar por si mesmo, sem esforço do executante).

     
8.1 – Ricochet

      O ricochet propriamente dito é executado em movimento perpétuo durante toda uma passagem. Em geral se compõe de duas a quatro notas para cada arcada. A primeira nota da arcada para baixo é que inicia o ciclo e é o tempo forte do grupo (não há exceções).


31


      A vara do arco deve estar vertical sobre a crina ou levemente inclinada para o cavalete.


32


8.2 – Jetée ou saltati

      É a execução de várias notas em ricochet numa única arcada para baixo em movimento isolado (não é contínuo como o ricochet que ocorre num trecho maior da música ou exercício em arcadas para cima e para baixo). Em raríssimas exceções será feito para cima.
      A dificuldade do jetée está em coordenar os saltos do arco com a mão esquerda.
     No início do golpe a vara do arco deverá estar vertical e gradualmente se inclina para o cavalete.

8.3 - Arpejos em ricochet

      É o tipo de ricochet mais encontrado no repertório violinístico. Abrange de duas a quatro cordas tocadas em movimento perpétuo. A mudança de cordas facilita a obtenção dos saltos.
     O arco deve estar ligeiramente inclinado para o cavalete.
      Utiliza-se o mínimo possível de amplitude do arco.
      Braço e pulso mantêm-se imóveis: o movimento de mudança de corda é feito unicamente pela articulação do ombro.
     O andamento de execução é sempre rápido.
    Compositores devem ter em mente que a nota mais grave dos arpejos deve, sem exceção, estar posicionada em tempo forte e em arcada para baixo.

8.4 - Ricochet controlado e arpejos controlados

      São ricochets e arpejos em andamentos lentos, e que por isso, requerem um controle individual de salto para cada nota, feito da mesma forma que no spiccato.
Algumas vezes os ricochets ou arpejos “normais” precisam de um início e/ou um final lento e esta velocidade é alterada gradualmente com o uso do ricochet controlado ou arpejo controlado.
      A notação gráfica para este golpe é feita por pontos sobre/sob cada nota com ligaduras.

 

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

O ponto de equilíbrio (centro de gravidade) do arco fica, em média, 18,5cm distante do início do talão.


33


 

POWERED CuritibaWebHost